A SEXUALIDADE DA MULHER COM DEFICIÊNCIA

Desde sempre existe um estigma de que pessoas com deficiência não possuem uma vida sexual e tampouco uma sexualidade, o que é um grande erro. Afinal, as pessoas com deficiência são pessoas como todas as pessoas e elas possuem além de vida sexual (sim gente, PCDs transam), possuem uma sexualidade. E não, não são todos heterossexuais. Pessoas com deficiência podem ser lésbicas, gays, bissexuais, pansexuais, entre outras mais. E apesar disso trazer muita surpresa para pessoas sem deficiência, isso é real.

Nós somos pessoas como qualquer outra! A vida sexual feminina sempre foi tabu na sociedade, esse assunto sempre foi dado somente aos homens e pronto. Os homens que sempre foram estimulados a conhecerem seus corpos, a assistirem e contribuir com a pornografia, a falar sobre sexo e muitas outras coisas que perpassam por esse assunto. Em contrapartida, nós mulheres, sempre tivemos que reprimir nossos desejos sexuais, nossas vontades, nossos corpos, porque nunca se é ensinado conhecer seu próprio corpo e sua genitália quando se é garota. 

Mas agora eu te pergunto, e a mulher com deficiência? Pois é, a mulher com deficiência que é aquela mulher que nunca é vista como mulher, nunca é incluída nas pautas feministas e nas lutas também, aquela que ninguém sente tesão por ela porque não tem um corpo de padrão normativo, aquela que todo mundo a infantiliza ou então acha que seu corpo é frágil ou vulnerável demais. Então, essa mesma mulher, ela tem MUITOS desejos, ela tem muitas vontades, ela sente sim tesão e vontade de transar, ela sente vontade de tocar seu próprio corpo.

Enfim, essa mulher tem tudo que uma mulher sem deficiência pode ter e que também pode não ter. A mulher com deficiência, ela mais do que a mulher sem deficiência, ela é totalmente privada de seus desejos sexuais, de estímulos sexuais, de relações sexuais. Ela não recebe uma educação sexual que a permita se conhecer, entender as sensações como tesão e excitação, ela provavelmente iniciará sua vida sexual de forma mais tardia (se é que isso existe de fato, uma idade ou fase para perder a virgindade) porque ela precisará reconhecer que está surgindo essa vontade de fazer sexo e também conseguir alguém que entenda, aceite seu corpo e que encare isso junto à ela. 

A mulher com deficiência ainda pode enfrentar muitos problemas com a sua autoestima, com insegurança, bloqueio, enfim, uma série de transtornos que podem vim devido a essa restrição de sua vida sexual. E tudo que nós queremos é poder viver o que sentimos, é experimentar o que as pessoas experimentam, é matar a vontade. Mas nos é tirado isso, em casa e fora dela. A mulher com deficiência precisa se sentir desejada, precisa experimentar sensações, precisa se libertar de um tabu que plantaram pra ela, precisa se descobrir como mulher.

Ela quer e precisa mostrar sua potência, seu valor, sua sexualidade. Estamos o tempo todo tentando falar, só falta você ouvir!

Texto por: Julia Aquino, estudante de piscologia
Instagram: xuliaaquino
Ilustração de capa: partes.art

Um comentário em “A SEXUALIDADE DA MULHER COM DEFICIÊNCIA

  1. Adorei o assunto. Nunca havia lido sobre o tema e concordo perfeitamente com a colocação, pessoas são pessoas, somos iguais independente da deficiência, o prazer , sexo e o amor devem ser apreciado por todos.

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